dos devaneios românticos - estopim
talvez seja o modo como ele fecha os olhos devagar enquanto me conta uma história como aquela do dia em que achou que havia perdido o cachorro e chovia torrencialmente e ele chorou feito criança.
talvez seja o modo como ele fala manso, cada palavra quase um sopro, os olhos brilhando de tanta doçura enquanto a gente divide sorvete e confissões adolescentes no sofá.
ou talvez tenha sido o modo como a lua brilhava diferente porque naquela noite de inverno o céu estava limpo e anunciava um dia seguinte frio. E, de certo modo, isso fez com que o mundo girasse um pouco mais devagar, eu querendo que as horas se esticassem até o infinito pra nunca mais ter que sair dali.
e talvez isso que não tem nome seja algum tipo de paixão, isso-sem-nome que gente como eu, que já jogou o coração ao vento, não sabe mais definir ou tem medo de lembrar para o caso de não ter cicatrizado.
é, acho que me apaixonei assim porque ele fecha os olhos devagar…